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Doutora em Filosofia e
História da Educação pela Unicamp. |
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Conect@: Quando foi o seu primeiro contato com a Educação a Distância?
Raquel: Foi em 1994 com o grupo da Faculdade de Educação da UnB liderado pela professora Maria Rosa Magalhães, coordenadora desse grupo. Atualmente sou a vice-coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas da Plataforma Lattes do CNPq em Aprendizagem, Tecnologias e Educação a Distância. Estou inserida na linha de pesquisa Fundamentos Históricos da EAD.
Conect@: O que levou você a se interessar pela EAD?
Raquel: O sonho de criar um mundo melhor, mediatizado pela educação e pela mídia.
Conect@: Quando foi a sua primeira experiência on-line?
Raquel: Minha primeira experiência em EAD foi em 1997 com a realização do II Curso de Especialização em Educação a Distância da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, na modalidade material impresso, vídeo e tele-fax. Mas trabalho há muitos anos com informática educativa. Citando algumas projetos: Projeto Eureka (Unicamp-Prefeitura Municipal de Campinas: 1990-1993); CIES-UnB (1995-1997). Ingressei no ambiente virtual, on-line da EAD em 1999 quando ministrei: Organização da Educação Brasileira (em nível de graduação e extensão pela UnB Virtual), Fundamentos Históricos da EAD no III Curso de Especialização em EAD, na plataforma desenvolvida pelo Simon Fraser University. - Canadá e na lista do Edutec, coordenada pelo professor da Faculdade de Educação da Unicamp Eduardo Chaves.
| Eu nunca fui tutora de cursos on-line. Sou professora, a saber: a que planeja o plano de ensino. |
Conect@: Há na web vários
sites e instituições oferecendo cursos on-line, muitos não
diferenciando cursos de tutoriais. Você faz diferença entre
eles? O que os diferencia?
Raquel: A meu ver um curso é algo mais abrangente. Eu trabalho na perspectiva dos Quatro Pilares da Educação desenvolvida pela Unesco: saber, saber-fazer, saber ser e saber conviver. O tutorial é algo pontual, ou seja: para desenvolver determinado saber. A meu ver há uma diferença fundamental entre ser professor e tutor. Eu nunca fui tutora de cursos on-line. Sou professora, a saber: a que planeja o plano de ensino. O tutor auxilia o professor a executar o plano de ensino, o qual, por sua vez, está inserido num projeto político-pedagógico. Há projetos conservadores, reacionários, mercadológicos, inovadores, libertários, etc. A diretriz política é traçada pela concepção Homem-Sociedade-Estado e pela sua tradução prática. |
Conect@: Neste período de tempo você percebeu alguma modificação no comportamento dos alunos? E no seu comportamento, o que modificou?
Raquel: Eu desenvolvo uma pesquisa sobre esse tema desde 1999. O artigo inicial está hospedado no site EduTecNet, na sua Biblioteca Virtual, no link dos textos on-line. Raquel de Almeida Moraes, Henderson Silva e Luciano Santos de Faria, Reflexões sobre a aula virtual: a participação como fundamento da democracia. Posteriormente essa experiência foi apresentada na SBPC, realizada no ano de 2000 na Universidade de Brasília. O paper, versão SBPC 2000, está disponibilizado no site Pedagogia, coordenado pelo professor de Santarém, Pará: Carlos Mesquita. E a sua reflexão filosófica foi apresentada no mesmo ano (2000) no I Congresso Latino de Filosofia da Educação, organizado pela Associação Brasileira de Educação - ABE. O texto prévio das palestras pode ser adquirido em: http://www.abe1924.org.br/links_menu.htm. E a Conect@ disponibilizou, gentilmente, no número 3 da Revista em novembro no mesmo ano. O título é: Uma Filosofia da Educação para a Universidade Virtual. Em síntese, o que registrei naquela época é que:
| "Superar as contradições e dicotomias de forma a criar uma política mais democrática é um dos maiores desafios hoje. O analfabetismo já não se restringe à leitura e à crítica dos códigos escritos. Inclui, cada vez mais, os códigos técnicos, cibernéticos, os quais também são, a meu ver, direitos de cidadania. Frente a essas ponderações, penso que as novas tecnologias só terão um caráter democrático quando concretamente a superação da dominação humana for um processo em marcha, pois de outra forma, a educação com as novas tecnologias continuará circunscrita aos interesses de qualificação do capital." | Mais do que dar conteúdos prontos, "verdades pré-estabelecidas", minha postura é a de provocar a reflexão. |
É isso o que estou ensaiando com os meus alunos da UnB na Universidade Virtual: estabelecer o debate sobre alguns textos que sinalizam temas geradores que não são consensuais. Mais do que dar conteúdos prontos, "verdades pré-estabelecidas", minha postura é a de provocar a reflexão. E isso eu procuro fazer por meio de roteiros de estudo on-line, lista de discussão, fórum, chat, onde se discute esses temas e são propostos outros. Procuro ser um guia amigável, como coloca Gramsci (1968) nos círculos de cultura virtuais que adaptei da proposta de Paulo Freire.
| A "cegueira" da consciência é a mola mestre com que somos regidos. |
Discutir com os alunos temas geradores é
oportunizar um momento de reflexão sobre os caminhos e os descaminhos
de nossa sociedade. A ampliação desse debate para o virtual sugeriu-me
que é necessário colocar em evidência outras formas audiovisuais e
digitais para tornar mais transparente e democrático o nosso pensamento
político.
A pouca participação é um reflexo do que acontece em nossa sociedade: pouco opinamos sobre as coisas que, afinal, afetam nosso cotidiano. A "cegueira" da consciência é a mola mestre com que somos regidos. |
Abrir novos caminhos para o debate político é experimentar a ousadia de ter um compromisso com os direitos humanos, tão relegados nessa era da globalização que vivemos. Significa libertar a nossa consciência dessa "cegueira" que nos aprisiona.
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Concluindo, penso que a tecnologia da
Internet, aliada à uma formação ética, criadora, humanista e
participativa, pode contribuir na criação das bases de uma sociedade
democrática. É esse o caminho que estou trilhando no rumo daquilo que
Janine Ribeiro (2000) sinaliza: "é esse o diferencial que a
Internet pode trazer à democracia. Ela pode permitir um sem-fim de
acessos, de contatos, de trocas.
Conect@: Você trabalha num ambiente de aprendizagem fechado (Universite, Learning Space, WebCT) ou aberto? Raquel: Eu trabalho em ambientes mistos de aprendizagem, ou seja: Abertos - como no site yahoogroups e fechados como na plataforma que utilizo na Graduação e agora Pós-Graduação stricto sensu em desenvolvimento pela Universidade Virtual da UnB. |
A tecnologia da Internet, aliada à uma formação ética, criadora, humanista e participativa, pode contribuir na criação das bases de uma sociedade democrática. |
Conect@: Como é feita a avaliação dos seus alunos? Quais são os critérios utilizados por você?
Raquel: Na minha disciplina de graduação Organização da Educação Brasileira on-line a avaliação é formativa (ao longo do processo de aprendizagem) e é a soma dos seguintes quesitos: auto-avaliação (até 2 pontos); uma resenha para cada unidade, num total de 4 pontos (pode ser feita em grupo); avaliação escrita e individual (até 2 pontos) e seminário (até 2 pontos).
Conect@: Que sugestões você dá aos professores que intencionam trabalhar com a educação on-line?
Raquel: Não há fórmula mágica. Tudo deve ser observado e dialogado criticamente nas reuniões semanais onde são tomadas as decisões. E lembrem-se: cada caso é um caso.
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