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Maria Christina Zentgraf

Doutora em Educação pela UFRJ, foi Professora-Adjunta da Faculdade de Educação da UERJ
Atualmente é consultora da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT)
Professora Associada junto ao Programa de Teleducação da Universidade Castelo Branco
 Professora do Curso de Especialização em Educação a Distância da UniCarioca e do CEP/UFRJ.

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Conect@: Quando você começou a trabalhar com o Ensino a Distância?

Zentgraf: Iniciei minhas atividades na área da EAD logo após à fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro. Naquela ocasião foi criada junto à Secretaria Estadual de Educação (SEEC -RJ), uma fundação que se chamou Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Educação (CDRH) e que tinha como objetivo atualizar e capacitar os professores do novo Estado, que naquela época era formado por 63 municípios, mais ou menos.

A minha relação com a EAD, iniciada no final da década de setenta, permanece até hoje.

Fui Coordenadora Geral de Projetos do CDRH e vi-me diante de uma dura realidade: a maioria dos professores por questões econômicas trabalhava em várias escolas cumprindo horários variados o que os impedia de participar de cursos presenciais em seus próprios municípios e, principalmente, de se deslocarem para seminários aqui no Rio. Diante dessa situação, juntamente com a equipe que comigo trabalhava, optei por oferecer diferentes alternativas de programação. Foram organizados cursos presenciais em diferentes horários e como total novidade na educação estadual, cursos por correspondência.

É oportuno destacar um fato que serviu como referencial teórico e proporcionou segurança para a implantação do ensino por correspondência no CDRH. Eu estava fazendo o Mestrado na UFRJ e, juntamente, com as professoras Celina Crispel, que também trabalhava no CDRH, e Ella Dottori, fizemos nossas pesquisas e dissertações de Mestrado, em conjunto. Assim é que a minha dissertação teve como objetivo estabelecer as competências básicas do supervisor educacional itinerante do Estado do Rio de Janeiro. A dissertação de Dottori estabeleceu uma proposta de programação calcada em objetivos, para a capacitação desses supervisores. Quanto à dissertação de Crispel, apresentou não só um estudo da evolução e possibilidades do ensino por correspondência, como ofereceu uma proposta de capacitação dos supervisores itinerantes do Estado do Rio, a partir dos objetivos fixados por Dottori. A estratégia para a capacitação proposta foi o ensino por correspondência. É importante lembrar que esses estudos foram realizados e defendidos em 1977. Nesta entrevista é a primeira vez que registro este episódio.

A minha relação com a EAD iniciada no final da década de setenta permanece até hoje.

Conect@:O ensino a distância sempre foi mal visto, ou seja foi sempre visto como um ensino de segunda categoria. Você acha que já houve alguma mudança nessa forma de encará-lo?

Zentgraf: A EAD no Brasil, desde a Lei 5692/71 até o advento da Lei 9394/96 tinha no ensino supletivo a única possibilidade legal de se realizar na área educacional. Provavelmente tenha sido este o motivo de ter penetrado no imaginário dos profissionais da educação e até mesmo na sociedade em geral com a mesma conotação dada ao ensino supletivo, isto é, um ensino de segunda categoria.

Esta visão está mudando. A informática tornou-se essencial a todas as áreas e os professores que viravam as costas para a EAD, hoje, até por uma questão de sobrevivência profissional, começam a se interessar pela informática. Daí para descobrir as possibilidades que oferece como complemento ao ensino presencial e à EAD, é um passo. Interessante é destacar que, principalmente nas novas gerações, há quem confunda EAD com Informática Educativa, desconhecendo todo o passado da EAD e os outros meios que utiliza além da informática.

A EAD no Brasil tinha no ensino supletivo a única possibilidade legal de se realizar na área educacional.

Conect@: Você possui larga experiência no Ensino a Distância. Que experiências bem sucedidas você poderia citar?

Zentgraf: Ao longo dos anos em que venho trabalhando com a EAD tenho acompanhado diversas experiências bem sucedidas ligadas a instituições particulares e oficiais.

Em relação às instituições particulares podemos destacar desde l939, o Instituto Monitor e a partir de l941, o Instituto Universal. Ambos se destinam prioritariamente a uma clientela de ensino básico e já atenderam a milhares de alunos, numa categoria de ensino livre, não sujeito a legislação. O Universal atualmente está oferecendo os cursos On line UNIUB como alternativa aos cursos a distância convencionais.

Destaca-se também, dentre outras, a experiência do Telecurso 1º e 2ºgraus hoje Telecurso 2000, programa de grande sucesso da Fundação Roberto Marinho e que em muitas ocasiões trabalha em parceria com Secretarias de Educação.

Pioneiro na área de formação de professores leigos é o Centro Educacional de Niterói, entidade ligada à Fundação Brasileira de Educação. Além do Projeto Suplência, o CEN tem obtido muito sucesso no Projeto CRESCER, autorizado pelo Conselho Federal de Educação.

Na esfera oficial, desde a década de cinqüenta tem sido oferecido ensino livre, na categoria de atualização, capacitação e treinamento pelo SENAC, IBAM, IRDEB, SENAI, dentre outros. Destacam-se os cursos do Centro de Estudos do Pessoal do Exército, iniciados em l975 e que a partir de l997 foram reformulados e oferecidos em parceria com a UFRJ, na categoria de cursos de especialização, atingindo a todo o Brasil.

Destaque especial deve ser dado aos Centros de Estudos Supletivos, das Secretarias de Educação modalidade de EAD semipresencial, que desde a década de setenta vem desempenhando papel de relevância social ao atender ao aluno trabalhador e que no Rio de Janeiro, de maneira bastante tímida começa a se informatizar.

Entre 1995 e 1997 prestei consultoria e depois fui tutora de um projeto do Centro de Educação Técnica Federal do Rio de Janeiro, pioneiro no na sua abordagem pedagógica.

Gostaria de lembrar na área da pós-graduação oficial, o PÓS-GRAD, um programa pioneiro que no início da década de oitenta foi desenvolvido em parceria pela CAPES e ABT. Visava especializar professores que trabalhavam em instituições de nível superior em regiões interiorizadas ao longo do Brasil, mas não possuíam pós-graduação. O programa foi autorizado pelo Conselho Federal de Educação através do parecer 891/80 e reuniu como docentes, professores de universidades públicas, coordenados pela ABT. Ao finalizar foi objeto do parecer 295/85 do referido Conselho, onde foi feita avaliação minuciosa da experiência, coroada de êxito. Apesar disso, o Conselho não possibilitou que experiências semelhantes se sucedessem.

Entre 1995 e 1997 prestei consultoria e depois fui tutora de um projeto do Centro de Educação Técnica Federal do Rio de Janeiro, pioneiro no na sua abordagem pedagógica. Destinava-se a professores de ensino médio das escolas técnicas federais brasileiras e venceu o desafio de propor uma experiência numa linha crítico-participativa e interativa entre instituição, professores-tutores e alunos. Foi um sucesso.

Só mesmo com a Lei 9394/96, a situação começou a se modificar. Hoje existem em torno de seis instituições autorizadas pelo MEC para realizar graduação a distância.

Finalizando não poderemos deixar de citar a Universidade Federal de Sta. Catarina, pioneira no uso de novas tecnologias no EAD. Ela vem desenvolvendo na área de educação formal, cursos de mestrado e doutorado, autorizados pela CAPES, apesar de não estarem ainda regulamentadas estas modalidades de cursos a distância. Segundo declarou o Prof. Vianey, um dos membros da implantação desse sistema na UFSC, o fator determinante dessa autorização, foi o uso da videoconferência, no programa.

Só mesmo com a Lei 9394/96, a situação começou a se modificar. Hoje existem em torno de seis instituições autorizadas pelo MEC para realizar graduação a distância.

Conect@: E as mal sucedidas?

Zentgraf: É difícil citar experiências mal sucedidas sem que se tenham pesquisas avaliativas sobre as mesmas. Entretanto posso fazer referência a dois cursos realizados pelo CDRH, quando lá trabalhei como coordenadora geral de projetos. O primeiro teve como objetivo atualizar docentes de língua portuguesa, de ensino médio. Havia 400 vagas e apenas 134 professores concluíram o curso. Dentre as causas dessa excessiva evasão destacamos a grande dificuldade do primeiro módulo de ensino bem como a época pouco oportuna em que o curso foi lançado. O segundo exemplo se refere a um curso destinado a diretores de escolas estaduais e tinha como objetivo capacitá-los a organizar os estatutos escolares. Os recursos para o projeto eram provenientes do MEC. A demora no recebimento da verba, só recebida nos últimos dias de dezembro, levou a gerência do projeto a enviar todos os módulos de uma só vez, descaracterizando desse modo a metodologia do EPC.

Conect@: Como você vê as novas tecnologias  na Educação?

Zentgraf: As novas tecnologias são sempre transitórias. Hoje é a informática, são os cursos virtuais; ontem eram os módulos de ensino, a instrução programada, o rádio, a televisão. Os educadores devem estar sempre se preparando para incorporar as novas tecnologias a seu cotidiano. No caso específico da EAD, as novas gerações de recursos tecnológicos vão se incorporando ao já existente, sem eliminá-lo. Assim é que vemos hoje no Brasil desde o ensino por correspondência até os cursos virtuais, atendendo a diferentes clientelas.

 As novas tecnologias são sempre transitórias. Hoje é a informática, são os cursos virtuais; ontem eram os módulos de ensino, a instrução programada, o rádio, a televisão.

Conect@: E a Alfabetização tecnológica do professor?

Para a alfabetização tecnológica dos professores, os 10% predispostos ao uso da tecnologia constituem peça importante...

Zentgraf: Poppovic, em artigo para a revista Em Aberto afirma que em relação às novas tecnologias, cerca de 10% dos professores são altamente motivados enquanto 15% são totalmente contrários a elas. Entre esses extremos, encontram-se 75% cuja adesão é fundamental para o êxito de qualquer projeto inovador. Para a alfabetização tecnológica dos professores, os 10% predispostos ao uso da tecnologia constituem peça importante no sentido de demonstrar aos colegas que as novas formas ajudarão a aperfeiçoar a sua prática pedagógica apesar de exigirem um esforço de adaptação. Além disso, todos nós sabemos que se faz necessário incentivo material para que os professores possam adquirir equipamentos e participar de treinamentos.

Conect@: Você é um exemplo notável de educação continuada.Como você se alfabetizou tecnologicamente?

Zentgraf: Em relação especificamente a minha alfabetização tecnológica posso afirmar que ela teve início na década de setenta - hoje conhecida entre os educadores como "tecnicista"- quando fiz um curso que me ensinou a trabalhar com instrução programada. Em outro curso aprendi a elaborar módulos de ensino. Nada melhor para ampliar o conhecimento e dar segurança à prática do que participar de experiências nas áreas de interesse. Assim, na condição de aluna, em 1980 me inscrevi em um curso por correspondência da ABT. Seu título foi Tecnologia Educacional Aplicada ao ensino de 1º Grau. Neste curso tive oportunidade de vivenciar todas as etapas e estratégias usadas em um curso a distância. O planejamento e a execução de projetos a distância no CDRH foram oportunidade importantes para ampliar meus conhecimentos na área de gerência e coordenação. Algum tempo depois como integrante do Núcleo de Tecnologias e assessora da equipe de produção de material para os cursos a distância do Centro Educacional de Niterói e sua Faculdade, me desenvolvi como elaboradora de material, supervisora técnica na produção de material e também docente nos cursos semipresenciais da FACEN.

Em 1988 fiz uma pesquisa para concurso de Livre-docente intitulada Cursos de Especialização e Aperfeiçoamento a distância: uma questão de credibilidade, o que me possibilitou novos conhecimentos e novas aprendizagens.

... minha alfabetização tecnológica posso afirmar que ela teve início na década de setenta...

Em 1996, ao me aposentar na UERJ a minha relação com as novas tecnologias era muito frágil. Mas fui convidada por algumas instituições para diversos trabalhos justamente na minha atividade paralela: EAD. Vi-me assim diante de um desafio: ou continuava a estudar e me iniciava na EAD virtual ou diria não aos convites. Resolvi estudar.

Conect@: Em sua opinião,qual seria o maior benefício do uso da  Internet  na Educação?

Zentgraf: O maior benefício da Internet na Educação no caso específico da EAD, ocorre quando o curso é bem projetado e executado. Nessa situação, ao mesmo tempo em que o aluno tem mais liberdade para desenvolver os seus estudos graças à flexibilidade do projeto, tem garantida a interatividade com professores e alunos evitando assim, ao máximo, o isolamento e realizando uma aprendizagem colaborativa.

Vi-me assim diante de um desafio: ou continuava a estudar e me iniciava na EAD virtual ou diria não aos convites.

Conect@: E os inconvenientes  desse uso, quais seriam?

Zentraf: O principal inconveniente na minha opinião é a tendência muito comum nos cursos on-line de se transferir simplesmente um curso presencial ou a distância baseado em material escrito para o virtual, o que descaracteriza o meio, impede a interatividade, a participação ativa do aluno, a aprendizagem colaborativa. Outro inconveniente é a distribuição inadequada dos conteúdos, muitas vezes excessivos o que provoca grande evasão.

Conect@: Você participou do planejamento de um curso de especialização em Ensino a Distância no Centro Universitário Carioca. Como surgiu essa idéia?

Zentgraf: A idéia de criar um curso de especialização a distância no Centro Universitário Carioca partiu da própria instituição que convidou as profas. Ligia Leite, Lucia Vilarinho e a mim para concretizar a idéia.

Conect@: O que é  que um curso desse tipo deve ter como  o mais importante?

Zentgraf: É difícil estabelecer um item prioritário num curso de formação de recursos humanos para a EAD. Depende muito do interesse da pessoa que está fazendo o curso. Todos precisam ter uma noção geral das características e possibilidades da EAD, das implicações pedagógicas que envolvem, das diferentes tecnologias de que dispõe. Entretanto, o aprofundamento em uma ou outra tecnologia vai ser determinado pelo cursista. No meu ponto de vista, é impossível dominar com competência as diferentes mídias. Por outro lado, o planejamento e a gerência de projetos de EAD e principalmente de centros de EAD são muito específicos, mas de grande importância para determinados profissionais.

...é impossível dominar com competência as diferentes mídias

Conect@: que é um curso a distância?

Zentgraf: Existem inúmeras definições para cursos a distância. Eu mesma já apresentei algumas em artigos por mim elaborados. Vou me limitar aqui a lembrar o que se encontra na essência dessa expressão. Tradicionalmente o processo ensino-aprendizagem se desenvolve através de uma relação direta professor-aluno; nos casos em que o processo ocorre mediatizado por um recurso que se interpõe entre o professor e o aluno, consagrou-se a expressão a distância, para distingui-lo da situação em que professor e aluno se encontram face a face.

Conect@: O EAD é um trabalho de equipe. Que perfil profissional deveria ter uma  boa equipe   de EAD? O que faria cada profissional da equipe,isto é , como é dividido o trabalho de elaboração de um curso a distância ?

Zentgraf: Uma equipe de EAD na fase de planejamento do curso precisa ser constituída pelos seguintes profissionais: um especialista ou mais, dependendo da complexidade do currículo, nas áreas de conteúdo (são também chamados de conteudistas); pedagogos especialistas em planejamento curricular, planejamento de curso, estratégias didáticas, modalidades de avaliação; tecnólogos educacionais. Na fase de produção do material, dependendo do meio ou dos meios selecionados, pessoal da área de elaboração de material impresso, roteiristas e demais especialistas da área de rádio, de TV ou de informática educativa. Na fase de execução do curso, professores-tutores, administradores, webmaster, dentre outros.

Conect@: E o tutor? Qual seria a sua função?  O tutor e o professor devem ser a mesma pessoa?

Zentgraf: De modo geral a função do tutor é orientar e incentivar os alunos, minimizar dúvidas, solucionar possíveis problemas ou encaminhar para pesquisas. O ideal é que o tutor seja o professor conteudista do curso. Quando isso é impossível, que seja pelo menos, um professor da mesma área.

Conect@: O ensino a distância é  mais barato do que o ensino presencial?

Não se pode pensar que um curso é mais barato porque o aluno estuda em casa em seu computador...

Zentgraf: Os custos da EAD variam muito. Estão muito ligados às tecnologias utilizadas. Um curso que utiliza apenas material escrito sai muito mais barato do que um curso que além do material escrito utiliza a internet. Ou um curso como os mestrados a distância da UFSC que utilizam material escrito, internet e vídeo conferência. Não se pode pensar que um curso é mais barato porque o aluno estuda em casa em seu computador e se comunica com o professor e os colegas através de email; é ilusão. Estará havendo uma transferência de custos da instituição para o professor que pode permanecer horas e horas respondendo a correspondências dos alunos. Será necessário que a instituição defina esses custos.

Conect@: Qual a Importância do material didático na EaD?

Zentgraf: O material didático é imprescindível na EAD. Ou escrito pelo professor a partir de pesquisas bibliográficas ou indicado para que o aluno pesquise, ou apresentado através de vídeos, etc., o material didático é essencial para que o curso se desenvolva.

Conect@: Você acha que o EAD pode ser realizado em todos os níveis de escolaridade com sucesso?

Zentgraf: Existem experiências de estudos a distância feitos por crianças do primeiro segmento do ensino fundamental, mas pelo que conheço a respeito, sob a orientação de um adulto. Em geral são os responsáveis que incentivam, ajudam a criar hábitos de disciplina e orientam na realização das tarefas recebidas por diferentes meios tecnológicos. Do segundo segmento do ensino fundamental em diante a situação vai ficando mais fácil. Principalmente quando se trata de adultos que têm consciência da necessidade de estudar para melhorar profissionalmente.

Conect@: Para finalizar, você acha que o renascimento da EaD com as novas tecnologias, vai contribuir para a democratização ou será ele um fator a mais na exclusão das minorias e numa elitização cada vez maior da Educação?

Zentgraf: Teoricamente a EAD pode contribuir para a democratização, independente das novas tecnologias. Os cursos de especialização do convênio UFRJ/CEP são um exemplo dessa possibilidade. Usam prioritariamente material escrito encaminhado pelo correio, com apoio de tutoria, fax e correio eletrônico; têm alunos de todo o Brasil. Se esses cursos privilegiassem a internet, considerando as condições econômicas da maioria da clientela, estariam contribuindo para a elitização da educação brasileira.

Se esses cursos privilegiassem a internet, considerando as condições econômicas da maioria da clientela, estariam contribuindo para a elitização da educação brasileira.

A questão da elitização em decorrência das novas tecnologias é motivo de preocupação até em países ricos como os Estados Unidos. No caso específico do Brasil, acabei de ler no Jornal do Brasil do dia 25, p.p. que um novo programa do governo deverá aplicar R$ 500 milhões para popularizar rede global de computadores. O programa tem como objetivo evitar a consolidação um novo fosso entre os países ricos e pobres e no caso específico do Brasil, entre os que têm acesso e os que não têm às novas tecnologias. Segundo o artigo o governo pretende criar condições de acesso a internet para 36 milhões de brasileiros, isto é 20% da população do país; hoje pouco mais de 1,2% da população são usuários individuais da internet.