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Conect@ - número 1 - julho/2000 |
Desaprender a ensinar para aprender a aprender
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Pedagoga Especialista em Tecnologia Educacional Pós-graduanda em Educação a Distância |
O conceito de professor sempre esteve associado ao saber. Na representação social, o bom professor é aquele que domina o conteúdo e o sabe transmitir, e, ainda, para exercer sua função é necessário que esteja em sala de aula, ou algum outro espaço físico que a substitua. Portanto, nesta visão, para adquirir conhecimentos, o aluno necessita freqüentar uma escola e ter “bons” professores.
No entanto, com o avanço das tecnologias da informação, o conhecimento vem se desvinculando do espaço físico chamado escola e da figura do professor. Televisão, aberta ou por assinatura, fax, videocassete, softwares multimídia e Internet, estão levando a informação para além dos muros da escola. Pensando na informática, em especial na web, podemos dizer que o conhecimento passou a morar na ponta dos dedos de qualquer cidadão. Esta transformação social leva-nos a repensar a atividade do professor.
A Internet vem ocupando lugar de destaque entre as novas tecnologias, não sem motivos. Uma de suas características é a facilidade e rapidez com que a informação é disponibilizada. Uma pesquisa, por exemplo, pode ser divulgada logo após sua finalização, e milhares de pessoas terão acesso a ela logo em seguida. Na área médica temos como resultado a possibilidade de um profissional saber hoje tudo o que foi descoberto ontem, sem ter que esperar a publicação da pesquisa em revistas especializadas, que, geralmente, possuem tiragens bimestrais.
A liberdade de expressão que a Internet oferece é um outro fator a ser considerado. Se antes as editoras decidiam o que seria, ou não, publicado e divulgado, hoje, temos uma infinidade de artigos, poesias, contos e relatos de experiências disponíveis na web. Outra vantagem é que na rede não é necessário esperar uma nova edição para acrescentar ou atualizar dados, isto é feito de forma imediata, e, no número de vezes necessário.
Na Educação, a Internet pode ser vista como uma poderosa ferramenta na mão de alunos e professores. No entanto, o professor deve estar consciente do novo papel que irá desempenhar, o de coadjuvante. A partir do momento que o aluno tem em suas mãos uma ampla fonte de informações, não cabe mais ao professor transmitir o que sabe, mas ajudar o aluno a localizar o que precisa. Diante de tanto conteúdo é necessário que o aluno aprenda a distinguir o que é importante, necessário e tem valor, para que informações transformem-se em conhecimento. O aluno deve encontrar no professor o apoio para “aprender a aprender”.
A mudança de papel nem sempre é fácil ao professor, acostumado a oferecer um conteúdo por ele dominado. Na rede, o aluno pode descobrir assuntos não listados no currículo com maior freqüência, obrigando o professor a “pesquisar e trazer a resposta na próxima aula” um número maior de vezes. O medo do aluno ter mais informações, que ele próprio, assusta o professor, ainda acostumado a ser o dono do saber.
A educação que antes hierarquizava conteúdos e exigia pré-requisitos, hoje precisa conviver com a não-linearidade, onde o hyperlink dá ao aluno a possibilidade de decidir por quais caminhos navegar. A Internet permite que a pessoa se envolva com determinado assunto em ritmo e interesse próprios. O conhecimento que antes vinha na seqüência “família, escola, rua, bairro e cidade”, agora pode partir de animais e chegar em escritores, passando pelas páginas do habitat, habitantes, história, cultura e literatura. Também não é preciso que cada tela (conteúdo) seja acessada isoladamente, pode-se ter várias janelas abertas ao conhecimento simultaneamente.
Desta forma, o conhecimento não será obtido na inércia de um aluno frente a um livro, mas na sua interação com textos, imagens, sons e vídeos. A interpretação individual sobre um tema é que o levará a decidir por qual hyperlink continuar navegando, fazendo com que necessidades e interesses individuais sejam considerados.
Neste momento, o professor é também aluno diante das novas tecnologias, tornando-se necessário que ele aprenda a utilizá-las para que possa fazer uso com seus alunos. Na realidade, ele deve desaprender a ensinar para aprender a aprender junto de seus alunos.
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