Conect@ - número 2 - setembro/2000


Resumo e comentários do artigo: @ulas particulares

in Revista Exame - 17/05/2000
Caderno Exame Digital,p.152-154

Por Denise Braga

Pós-graduanda em Educação a Distância

Licenciada em Educação Física pela UERJ
Licenciada em Português, Inglês Espanhol e Literatura pela UERJ
Coordenadora de produção de livros didáticos de inglês, português e espanhol
para uso em escolas e no curso de idiomas CCAA.



 

Resumo

Vitor, de 12 anos, chega a ter insônia quando volta da escola com uma dúvida na cabeça. Enquanto ele não corre para o computador e desfaz sua dúvida com um professor de plantão na Web, ele não sossega. Sua escola paga para ele ter esse plantão on-line.

Adriano, gerente de auditoria da empresa Xerox, só conseguiu concluir seu MBA em administração empresarial porque parte do curso foi feito na Web nas suas horas disponíveis, dentro de um módulo de EaD, oferecido pela Fundação Dom Cabral, de BH. A Xerox investiu 17.500 reais no curso de Adriano.

O que Vitor e Adriano têm em comum é que ambos fazem parte do público-alvo dos portais de educação. Voltados tanto para as escolas quanto para as empresas privadas, esses portais têm negócios peculiares na Web.

Calcula-se que devem existir hoje entre 7 e 8 milhões de internautas no Brasil, e estima-se que 72% dessa população estejam envolvidos em alguma forma de educação. Os internautas que navegam nos portais da educação ficam horas conectados na web, consumindo cursos e produtos educacionais. Também estima-se que boa parte das instituições de ensino estejam buscando os portais de educação na Web para estreitar o contato de seus alunos com a escola.

A autora comenta que os bons resultados dos negócios nos portais de educação provém das mensalidades que as escolas ou empresas pagam. Como exemplo desse modelo de negócio, ela cita a Escol@24horas, um portal no RJ que reproduz totalmente o ambiente das escolas de ensino fundamental e médio. Este portal reúne 70.000 alunos de 65 escolas com sede em 13 estados brasileiros. A expectativa, após as férias de julho, é de se alcançar 180.000 alunos e 200 escolas.

A escola faz este investimento para poder oferecer correio eletrônico e serviços a todos os alunos, pais, funcionários e professores. O serviço mais procurado na Escol@24horas é o plantão 24h, composto por 36 professores que se revezam na orientação à pesquisa dos alunos. No último mês, esse plantão recebeu mais de 4.000 perguntas.

Severino Felix da Silva, presidente e fundador do portal, calcula que com o cadastro de 200.000 alunos, já se paga o investimento no projeto Escol@24horas, e diz que com 600.000 alunos cadastrados, a expectativa de faturamento é de 35 milhões de reais.

O Grupo Positivo, de Curitiba, conseguiu se erguer em torno de cadeias de escolas já existentes. O convênio com essas escolas representa mais de 470.000 alunos cadastrados. Há um mês, lançou o Portal Educacional e já fez 17 escolas migrarem para a Web, reunindo 56.000 pessoas.

Segundo a reportagem os donos dos portais educacionais sabem que as escolas estão dispostas a pagar uma mensalidade a terceiros, para que estes montem e mantenham o braço virtual de suas instituições. A diretora Ayako, do Colégio Brasília, em SP, diz que pagar essa taxa de cadastro por aluno compensa.

Até as escolas públicas estão neste mercado. As que fazem parte das Secretarias Municipais de Educação, poderão usar a Escol@24horas através de um programa.  E até os portais com acesso gratuito cobram da escola uma taxa mensal.

O portal KlickEducação lançou o cartão KlickCardEscola, que inclui serviços especiais para as escolas associadas, como cursos de EAD.

Os portais da educação são considerados como um elo entre pais e filhos. Pensando nesta parcela do mercado, o KlickEducação lançará o KlickCardFamília, para auxiliar os pais a atuarem melhor junto à educação de seus filhos.  Além destes que já foram citados, existe também o portal Open-School que vende um leque de serviços onde, inclusive, se oferecem ferramentas para cursos à distância e, até agora, pelo menos 82 escolas compraram o direito de uso do programa. Neste site foi oferecido um curso de exportação de software que atraiu 375 pagantes.

Mesmo as empresas que desenvolvem programas de treinamento para seus funcionários, também estão se interessando pelos portais. Um exemplo desse tipo de portal é a eschola.com, que atualmente já oferece 10 cursos.

A universidade corporativa é outro tipo de demanda que tem aumentado muito ultimamente. A Fundação Dom Cabral, além de oferecer MBA Empresarial, também coloca programas para empresas montarem comunidades virtuais de aprendizado e treinamentos a distância à disposição. Só no ano passado esses programas reuniram mais de 2.900 alunos.

As editoras de livros didáticos, produtoras de tecnologia educacional ou prestadoras de serviço para escolas e instituições de ensino, são algumas das empresas que já ergueram portais na Web. A autora conclui que o que mais desperta o interesse desses empresários é fazer negócios com a educação.


Comentários

Depois de fazer uma longa pesquisa para escolher o assunto deste trabalho, como que por acaso, este artigo veio parar em minhas mãos. Foi uma surpresa e uma alegria constatar, através dele, que inúmeras portas estão se abrindo para a EAD. É realmente uma injeção de ânimo em qualquer profissional que esteja voltado para esta área.

O artigo foi apresentado de maneira clara e objetiva.  Chamou-me a atenção o fato de os empresários 'fazerem negócios com educação'. Isto me preocupou um pouco.

A EaD, tal como o ensino presencial, deve ser um processo cuidadosamente planejado, acompanhado e permanentemente avaliado por profissionais da área de Educação. Se massificarmos sem controle este ensino, por exemplo, com o uso não apropriado da multimídia, correremos o risco de não ter a qualidade necessária no ensino oferecido.

De qualquer modo, a preocupação não chega a ser muito grande, porque o próprio mercado consumidor deste ensino, fará a avaliação dos produtos disponíveis.

Para nós, futuros profissionais da EaD, é bom ter sempre em mente a importância de um bom serviço a ser oferecido. Os objetivos devem ser bem claros e as atividades propostas devem propiciar oportunidade para o desenvolvimento do raciocínio e da criatividade.

O lucro é sempre importante, mas não pode vir em primeiro lugar, em detrimento da qualidade do material proposto.

O futuro não espera...