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Conect@ - número 1 - julho/2000 |
Os Parâmetros Curriculares Nacionais - Mudanças na Educação
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Jornalista Bacharel em Letras Pós-graduanda em Educação a Distância |
Na análise histórica dos modelos de educação pública brasileiros estiveram sempre presentes dois fatores:
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a ineficácia do sistema vigente e a necessidade de reformá-lo |
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o atraso tecnológico, econômico e social do Brasil em relação aos países desenvolvidos. |
A ineficácia dos modelos até hoje implantados se deve principalmente ao fato de se desprezar a identidade do sujeito da educação. Os sistemas procuram fornecer-lhe uma nova identidade, ignorando, ou deixando de lado o interagir com essa identidade que se apresenta antes e durante o ato educativo.
Essa concepção universalista e homogeneizante do moderno em Educação nos tem brindado com sistemas que já vêm prontos sem considerar o background cultural do educando, tão importante para o ato educativo.
A solução para o atraso tecnológico, econômico e social do Brasil em relação aos países desenvolvidos também tem sido mencionada em todos os modelos. Este atraso a meu ver se deve principalmente ao fato de que apesar de o país possuir individualmente bons pesquisadores, não se deu importância à construção de uma massa crítica científica com força política. Por herança histórica, deu-se sempre ênfase ao não envolvimento da ciência com a produção e não se atendeu à necessidade de investir maciçamente na busca da rapidez na transferência do conhecimento para a produção.
Somente em 71 com a nova Lei de Diretrizes e Bases é que surgiu mais claramente a idéia da associação do trabalho à educação como forma indispensável para permitir o progresso e o avanço tecnológico no país.
A adoção dos Parâmetros Curriculares Nacionais no nosso sistema educacional seria pois, mais uma tentativa de solucionar os problemas da ineficácia e do atraso anteriormente mencionados.
Os Parâmetros trazem em seu bojo, o pensamento neoliberalista, procurando estabelecer nas escolas características que facilitem a interação Escola X Mercado de Trabalho. Fornecem detalhes e procedimentos a serem seguidos por professores e escolas, para preparar o educando para o mercado de trabalho. Para tal, incorpora nos procedimentos didáticos até dinâmicas de gestão de recursos humanos.
Embora o discurso veiculado nos parâmetros seja o de respeito às diversidades culturais do país, há uma imposição de valores "próprios a todos".
Pergunta-se: qual o critério utilizado na escolha desses valores? Que valores seriam esses? Próprios de que camada social?
A crítica que se faz a estas proposições e à grade de disciplinas recomendadas nos Parâmetros é de que, apesar de reconhecer as diversidades culturais existentes, fica claro que elas devam se incorporar à cultura dominante.
A uma educação progressista (como pretende ser) não basta o respeito à variedade de culturas populares. Ela tem que ir além do simples acolhimento dessas culturas.
Deve propiciar ao educando conhecimentos que lhe permitam uma visão crítica dessa cultura e a comparação com a cultura dominante. Só assim o sujeito da educação será capaz de compreender a natureza e a sociedade e participar efetivamente de decisões que afetem sua vida e a da sociedade em que vive.
Não parece ser esta a proposição encontrada nos Parâmetros. O que se vê é até um retrocesso em relação à Lei de Diretrizes e Bases que abriu espaços para o ensino experimental e portanto para o objetivo de fazer das escolas espaços de criatividade e investigação.
Outra crítica feita aos Parâmetros, é quanto à avaliação que se pretende fazer das escolas e do corpo docente, pois nota-se um maior empenho no fortalecimento das estruturas administrativas e no reforço ao controle burocrático das escolas.
Para se avaliar é necessário que se tenha bem claros os objetivos a serem alcançados.
Que tipo de indivíduos a escola quer formar?
Os Parâmetros estão voltados para fins imediatistas que atenderiam ao mercado: indivíduos pragmáticos e inseridos no mercado de consumo.
E as minorias? Como ficariam os oprimidos, os "diferentes", nessa avaliação?
Como dessa avaliação provavelmente resultará o direcionamento de verbas, creio que os Parâmetros, longe de serem um instrumento de progresso social, contribuirão para o acirramento das desigualdades sociais e a manutenção conservadora do status quo.